Encontro com o homicida

 

            Segunda-feira dia 30 de abril de 2007. Véspera de feriado. Eram mais ou menos 11 horas da manhã e o Zaroni e eu estávamos voltando do sitio a pé, em direção a nossas casas.

            A gente estava andando pela estrada de terra quando avistei uma foice encostada em uma bicicleta verde. Fiz uma piadinha comunista: “cadê o martelo?”. Foi então que Zaroni disse: “ali ó...”. Na verdade era uma enxada...(risos). O que vale é a intenção e é certeza que quando ele for ler isso vai ficar puto dizendo que eu chamei ele de burro. Óbvio que ele não é! Mas voltando ao assunto e o que interessa nessa história é que logo à frente estavam duas pessoas. Um negro trabalhando e um maluco baixinho, cabelo meio branco e grande. Estava descalço, sem camisa, com uma tatuagem no braço e segurando um saco branco. Nada inusitado pra quem está na roça. Nós passamos por eles e eu, como sempre, cumprimentei os dois e eles retribuíram.

            Depois que nós passamos por eles o maluco baixinho disse ao negro que ia pegar carona com a gente. O Zaroni meio assustado começou a andar mais rápido. Eu também fiquei meio assustado por causa da aparência dele, parecia um louco. Mas como não tínhamos saída, demos “carona” pra ele.

            O maluco começou a falar e não parou mais.

            Maluco: daonde ceis tão vino?

            Eu: da cachoeira

            Era mentira, eu não ia dizer nada de pessoal a ele. Eu não o conheço.

            Maluco: ceis durmiro lá?

            Eu: ahan! (na verdade não dormimos)

            O dialogo mais parecia um monólogo. Só ele falava. O Zaroni só dava umas risadinhas pra dizer que também estava na conversa.

            O maluco começou a dizer onde ele trabalhava. Disse que era caseiro em uma fazenda e que estava indo pro bairro da Estiva. Até aí eu pensei que o maluco era de confiança, pô o cara era caseiro. Até agora ele não disse seu nome.

            Maluco: lá na fazenda tem um lago que ceis pode ir lá. Joga uma tarrafa lá e pega uns peixe pro ceis. Eu que sou o responsável. Ceis pode até durmi lá...

            Eu: ah! Pode crê!

            O assunto começou a ficar chato porque eu não curto esse lance de tarrafa. Mas valeu a intenção dele de mostrar cordialidade mesmo não sendo dono da fazenda.

            A gente foi conversando e o Zaroni só observando, devia tá fazendo conclusões ou pensando por que o Fábio (eu) não para de puxar conversa com o maluco ou porque o maluco não fica quieto um pouco. Até eu pensei nisso!

            A gente passou pela igrejinha de São Francisco, último ponto antes de pisar no asfalto. A partir daí a história mudou de rumo

            Maluco: eu não uso drogas não. Mas se tiver junto com a galera eu uso. Também depois de ficar 12 anos na cadeia né irmão. (um sorriso amarelo). Lá a gente aprende. Lá aprendi a fazer colar.

            Eu: eu faço colar. Eu vivo disso!

            Maluco: dá pra viver disso? Quanto custa esse seu?

            Eu: cinco reais.

Maluco: da pra ganha uma grana então.

Eu: dá sim!

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